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BRASIL ROUBA A CENA NA BIENAL DE VENEZA
O Brasil chega à 61ª edição da La Biennale di Venezia com uma proposta que transforma o pavilhão nacional em uma experiência sensorial. Intitulada “Comigo ninguém pode”, a mostra tem curadoria de Diane Lima e reúne, em diálogo inédito, as artistas Rosana Paulino e Adriana Varejão. A exposição ocupa integralmente o Pavilhão do Brasil a partir de maio de 2026, com pinturas, esculturas, desenhos e obras inéditas desenvolvidas especialmente para a ocasião.
Inspirado na planta popularmente conhecida como comigo-ninguém-pode, símbolo de proteção e resiliência, o projeto propõe uma reflexão sobre natureza, espiritualidade e memória colonial brasileira. A curadoria rompe a linearidade do tempo ao aproximar mais de três décadas da produção das artistas em uma narrativa marcada por tensões simbólicas, cromáticas e matéricas. A expografia assinada por Daniela Thomas transforma a própria arquitetura modernista do pavilhão em parte ativa da exposição, criando uma atmosfera de forte impacto visual e performativo.
O projeto também marca um novo momento para o espaço brasileiro em Veneza. Projetado em 1964 por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral, o pavilhão passou recentemente por um amplo processo de recuperação conduzido pela Fundação Bienal de São Paulo em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores. A restauração recuperou elementos originais da construção, incluindo as paredes laterais de vidro e a fachada, reforçando a presença do Brasil em uma das principais vitrines da arte contemporânea mundial.

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